segunda-feira, 11 de março de 2013

ESTRAGO




Ouço um estalo,
dou um passo. Não vem de dentro
ainda que a estrutura 
toda se retraia.

Elogio sua beleza,
ela retribui. Será demência
ou é um tipo de amor 
que sinto nesse trato?

No fundo sou um menino bobo,
pouca ação e muitas falas. 
Sem jeito, me calo
e apenas ouço o estrago.


Drowning in Silence, de Jiri Dvorsky

sábado, 9 de março de 2013

DÉJÀ VU



O celular toca no meio da tarde. Sem meus óculos não vejo o número de quem liga. Atendo, a voz é de homem e me soa vagamente familiar. Quando finalmente a identifico vem a consternação: sou eu mesmo do outro lado, na realidade um eu de anos atrás. Nossa conversa é caótica, um Déjà Vu perturbador. Ele me odeia por muitas coisas, algumas com motivo, mas principalmente pelo que represento: seu fracasso iminente. Eu próprio já estive do outro lado da ligação, também cheio de certezas. Não consigo convencê-lo da inutilidade de tudo aquilo. Quanto mais ele vocifera mais cansado eu fico. Depois de alguns minutos encerramos sem chegarmos a qualquer conclusão, é claro.
O episódio todo parece um infeliz conto borgeano. Horas depois ainda ouço-lhe a voz.

sexta-feira, 8 de março de 2013

CADERNOS



Não tenho problema algum em escrever "no computador" (ou mesmo no bloco de notas do iPod ou do celular); a tela vazia não me apavora mais ou menos do que uma folha em branco. Algumas vezes até, já escrevi diretamente neste blog, sem rascunhos de qualquer natureza, apenas com e pelo  calor que emana das palavras.
Porém, porém, porém... 

EU GOSTO MESMO É DE CADERNOS!

terça-feira, 5 de março de 2013

DÍVIDA

Afraid, de Tatomir Pitariu

Devo, não nego,
pagar por meu alheamento,
sobre esses versos insipientes
deitar-me só.

Devo, não nego,
aceitar essa singularidade
como reflexo de meus desatinos
e de meus não atos. 

Devo, não nego,
caminhar por estreitas vias.
Essa minha estreita vida
labiríntica.

domingo, 3 de março de 2013

CALMARIA É MEU SOBRENOME


"Destructive Rain"de InperFectionCreation


Uma miríade de lembranças me invade.
Nossas chuvas! Nossas chuvas!
Aquela tempestade de raios que saboreávamos
entre beijos de gosto amargo.
Oh, and all I taught that was everything
Oh, I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands chafe beneath the clouds
Of what was everything?
Oh, the pictures have all been washed in black, tattooed everything
Aquele vigor destrutivo não mora mais aqui.
Calmaria é meu sobrenome hoje.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

À FLOR


Muitas vezes, quando saio de casa cedinho, ainda no carro, acabo me emocionando enquanto escuto uma determinada música: "Last Goodbye" do Jeff Buckley ou "Beautiful" do Marilion são figurinhas fáceis.







A da hora é "Ara Bátur" do Sigur Rós.



Dizem que vivo à flor da pele mas quem pode garantir?

Difícil é disfarçar a cara de choro.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

NÃO CONFUNDA ANDREW BIRD COM ANGRY BIRDS



O que faltou aqui, no maravilhoso post do meu amigo Evandro, sobre a nossa antológica caça ao pássaro recluso (tímido sim, mas nada zangado)?
Nada, creio.

Se Andrew Bird nos brindou com um show capaz de resistir aos tempos, nossa aventura (ainda lembro do Ev dizendo enquanto corríamos: "mesmo se não for ele, essa história terá seu valor") já está eternizada em nossas memórias.


Esse bis energético (ainda que mal gravado) diz tudo!